JUNHO – MÊS DO MEIO AMBIENTE

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O domínio do planeta pelo homem tem história bem recente. Por muitos milhares de anos tinha sido um simples aprendiz da mãe natureza: tempo de tornar-se experto em mapear  territórios e  discriminar entre  bom e ruim pra caça e coleta; jornadas eternas de livre andar acumulando observações. Sem pressa, já dotado de inteligência plena, menos identificado com os seres de outras espécies e sempre mais inclinado a comunicar-se com iguais, foi ampliando seu milenar modo de vida restrito ao núcleo familiar e passou a viver em bandos maiores, a fazer parte de uma tribo, aliar-se com outras e saber-se povo. Chegara a hora de fincar pé num lugar e ali ficar, ciente de que trigo e aveia podiam ser cultivados e cachorro domesticado. Uns 12 mil anos atrás, não mais que isso, ele sonhou que poderia dar conta de si mesmo e do mundo à sua volta.

Em perspectiva ambiental, é a partir daí que a história humana começa: com a primeira revolução agrícola, a construção do primeiro muro, a domesticação da primeira espécie vegetal, o encerramento do primeiro animal, a cerca em torno da primeira propriedade; quando os humanos, sem nunca mais parar, iniciaram a moldar o mundo  a seu bem entender, como dizer, a destruir habitats, eliminar espécies, tornar o  planeta, verde e azul que era, o atual shopping center de plástico e concreto, de ferro e vidro.

Tudo bem! Dominamos o mundo mas temos razões de sobra para temer os efeitos da degradação ecológica que provocamos. Ela pode de fato ameaçar nossa sobrevivência: vai que aquecimento global, aumento dos níveis dos oceanos e poluição disseminada tornem a terra menos habitável!

Põe-se então a questão: quem ganhará a disputa entre a gestão humana e os desastres naturais por ela induzidos? À medida que o homem usa sua capacidade para conter as forças da natureza e submeter o ecossistema a suas necessidades pode muito bem causar efeitos colaterais ainda mais nocivos. E, considerado o que somos, pode-se apostar que atacaremos tais efeitos por meio de manipulações mais drásticas do ecossistema, instalando o caos final.

Bem entendido, não falo em destruição da natureza, coisa muito além do humano poder, mas em transformá-la de tal modo que nossa espécie poderá não ter mais lugar onde fincar pé por não ter tempo de se adaptar.

(Nestore – 29.05.16 – veja também o Blog Convidas e escreva)

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MAIO – Mês da celebração da VIDA

À medida que a gente se acostuma a viver perde o hábito de pensar na vida. Em como, afinal, ela veio ao mundo; como foi possível que um punhado de elementos presentes na atmosfera se encontrassem para dar origem a proteínas, agregar a misteriosa replicadora chamada DNA e assim adquirir a capacidade de se reproduzir e gerar formas elementares de vida conhecidas como moléculas e  células. E isso logo no início de tudo, há 3,5 bilhões de anos, quando a terra mal tinha acabado de tornar-se sólida!

Acalma pensar como a vida deixou então de progredir para outros níveis de existência e dedicou  2 longos bilhões de anos à paciente reprodução de organismos bacterianos encarregados da função metabólica (mais tarde entregue ao mundo vegetal) de alimentar-se de hidrogênio e liberar na atmosfera oxigênio, venenoso o primeiro, essencial o segundo ao surgimento dos organismos terrestres dos quais evoluímos.

Nos bastaria a emoção de pensar que no primeiro instante do tempo humano uma pequena amostra de substâncias químicas adquiriu vida, partiu-se e fez um descendente; que algum tipo de processo de seleção cumulativo permitiu que aminoácidos se juntassem e dessem início à coleção de moléculas organizadas em tal ordem que deram em seres vivos; que isso aconteceu uma só vez e uma vez por todas;  que tudo que vive e já viveu, planta ou animal, tem sua origem na mesma e única replicação original; que tudo que tem vida é o resultado de um único mecanismo genético transmitido de geração para geração há quase 4 bilhões de anos.

Mas não. O homem ganhou um plus cognitivo que não o dá por satisfeito. Não saber como isso foi possível e não  conseguir recriar a vida o deixa inconformado. Importa-se  demais com vida pessoal para aceitar que ela acabe; não admite que as regras biológicas que a regem sejam definitivas; acompanhou-se desde o início de mitos, crenças e tabus, de vozes e visões do além, de crenças e religiões, teologias e filosofias que lhe dessem permanência. De certo, acredita, a pessoa é reencarnada através de sucessivas existências ou então eternizada em plano espiritual; outros, desconfiados, se fazem congelar, à espera da  revanche sobre a morte: não sabemos como a vida  surgiu? não conseguimos recriar as circunstâncias  iniciais que a ponham sob nosso domínio? Vamos então fazer perene a vida que temos! E prometem rejuvenescimentos periódicos, garantias de vida  até bem além dos 100, e, logo mais, vida sem fim.

Visto o desempenho científico de seu plus cognitivo, não é dito que o homem não consiga. Antigas sabedorias de velhos sábios dizem que não vale a pena. Mas o que sabiam eles dos dias de hoje?

(Nestore Codenotti – 08.05.16 – após a leitura de algumas pgs. de Bill Bryson)