Terra

Haverá outros modos de viver nela? Desde que se tornou objeto de exploração econômica não abriu-se outro futuro para ela se não aquele da insustentabilidade. Ocupada, cultivada e privatizada com intensidade sempre mais selvagem acabou envolvida também numa crise climática que não é dela.

Pouco sabemos de como pode ter sido seu primitivo estado natural. Se alguma saudade houver, não será por lembrarmos de suas formas e cores, mas apenas porque dela nossa vida nasceu e sobre ela percorremos nossos primeiros milhares de anos. Até parar e dar início à sua domação: a domesticamos, a fizemos à nossa imagem e semelhança, até civiliza-la e globalizar-lhe a função de objeto; até urbaniza-la em retalhos de inviolável privacidade doméstica; até nacionaliza-la entre patrióticas fronteiras armadas. Ninguém mais verá um só pedaço de terra integralmente natural.

Mas talvez ainda possamos recuperar modos diferentes de viver nela, de viver com ela sem tirar a vida dela. Quando então será difícil compreender os tempos em que ambientalista acreditava em desenvolvimento sustentável feito sob medida para tornar insustentável toda forma natural de viver.

(Nestore – 01.05.17)

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