A VIDA NA BALANÇA

Numa terra embutida com sistema de pesagem seletiva dos caminhantes, a massa dos humanos somaria uns 300 milhões de toneladas, aquela combinada de vacas, porcos, ovelhas e frangos daria cerca de 700 milhões de toneladas; e todos juntos, os grandes animais selvagens, elefantes, baleias e hipopótamos inclusos, mal chegariam a 100 milhões de toneladas.

E se também os contasse, informaria que pisam nela 80 mil girafas, 1,5 bilhões de cabeças de gado, 200 mil lobos, 400 milhões de cachorros; e míseros 250 mil chimpanzés ao lado de 7 bilhões de homens.

Pra dizer que o homem tomou conta de vez da vida na terra: do mundo em carne e osso, representado acima, compensado com um mundo de foto-imagens cheio de lobos, chimpanzés e altas girafas.

(Nestore Codenotti – 10.10.16)

OBS – os dados não são meus nem da mãe terra, mas a fonte é honesta (veja Yuval Noah Harari)

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Eleições

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Nos limites da percepção pessoal, diria que a campanha local está bem comportada, verbalmente comedida, visualmente limpa. Elogios à cidadania, portanto, visto que eleição é coisa de todos por contar com a expectativa de vitória na mente do candidato e com a esperança de benéficas consequências na mente do eleitor.

A lógica do processo, sabemos, tem lá seu viés: atribui ao candidato tanto a carga da frustração pessoal em caso de derrota como o compromisso de realização das esperanças alheias em caso de vitória; obriga-o a uma campanha propositiva, que a urgência pode muito bem reduzir a rosário de promessas levianas, e faz do voto um ato de fé, que a imposição da lei pode muito bem reduzir a aposta aleatória.

Contra impasses e riscos, vale criatividade. Se jogo é jogo apesar de regras que o fazem desigual, agrada-me pensar e desejar que ao apito final suceda a FESTA DO PROMETIDO, onde o vencedor recebe o pacote das promessas disputadas e, pouco ou tanto, votadas, e todos os prometedores se unem no desafio de cumpri-las.

Vai que a coisa se alastre pelo mundo e torne Passo Fundo/RS uma cidade global!
Nestore Codenotti

11 di Settembre

Domenica di sole. Azzurro e trasparanza totali. Incomodo di allergie a pollini primaveril, ma andiamo, non si può pretendere troppo. È poi cosa di due, tre settimane. Al peggio, si compra qualche fazzoletto. Per il meglio, si pensa per forza alle relazioni uomo-natura, la stessa cosa, in fondo. Ci va di illuderci che godiamo di autonomia nell’insieme delle cose naturali fin quando un acquazzone, uno scossone, uno scherzo di temperatura, uno slittamento di terra o neve, un’onda superba, la fioritura, appunto, della vita primaverile non ci dicono che pensando solo a noi e a partire da noi siamo appena ridicoli inventori di benesseri, piaceri, diete e estetiche in un pianeta visto a misura d’ uomo. Come fossimo stranieri a casa nostra.

(Nestore Codenotti)

FIM DO MÊS DO MEIO AMBIENTE E DA BIODIVERSIDADE

Não que se saiba muito, mas nunca se soube tanto sobre natureza. Admite-se que a crise ecológica é consequência do jeito humano de lidar com o planeta, visto, na prática, como objeto de uso e consumo e como reserva disponível,  o que, por sua vez,  nos remete à deterioração do meio ambiente.

Discute-se, isso sim, o que fazer daqui em diante.  E parecem-me três os principais tipos de abordagem.

1) Os radicais da domesticação sugerem sofisticar sempre mais as modernas formas tecnocientíficas de controle do  natural, ou seja, ir até as últimas consequências com sempre mais ciência e sempre mais tecnologias.

2) Os ambientalistas, de DNA conservador, sugerem conter as doses de apropriação e exploração da natureza e garantir reservas genéticas e reservas de bens por tanto tempo quanto possível. Ou seja, assumir pra valer o que  se admitiu há quase 50 anos: que  o apropriável e o domesticável têm caráter finito, e que urge realizar a ideia de um desenvolvimento limitado, sustentável – eta palavrinha abusada!

3) Os radicais da ambiguidade sugerem zerar o processo de apropriação pela reafirmação da finalidade e do valor intrínsecos de todo ser vivo e da diversidade das formas de vida. Abandonar, portanto, a instrumentalização da natureza e retornar às origens, a fazer parte dela, à  recuperação do sentido de pertinência e de fraternidade com todos os seres  não humanos.

Tudo indica que a porta de saída dos primeiros, os da ciência e da técnica, está escancarada e que é por ela que o mundo vai. Que nos leve no bom caminho!

Biodiversidade

JUNHO – MÊS DO MEIO AMBIENTE

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O domínio do planeta pelo homem tem história bem recente. Por muitos milhares de anos tinha sido um simples aprendiz da mãe natureza: tempo de tornar-se experto em mapear  territórios e  discriminar entre  bom e ruim pra caça e coleta; jornadas eternas de livre andar acumulando observações. Sem pressa, já dotado de inteligência plena, menos identificado com os seres de outras espécies e sempre mais inclinado a comunicar-se com iguais, foi ampliando seu milenar modo de vida restrito ao núcleo familiar e passou a viver em bandos maiores, a fazer parte de uma tribo, aliar-se com outras e saber-se povo. Chegara a hora de fincar pé num lugar e ali ficar, ciente de que trigo e aveia podiam ser cultivados e cachorro domesticado. Uns 12 mil anos atrás, não mais que isso, ele sonhou que poderia dar conta de si mesmo e do mundo à sua volta.

Em perspectiva ambiental, é a partir daí que a história humana começa: com a primeira revolução agrícola, a construção do primeiro muro, a domesticação da primeira espécie vegetal, o encerramento do primeiro animal, a cerca em torno da primeira propriedade; quando os humanos, sem nunca mais parar, iniciaram a moldar o mundo  a seu bem entender, como dizer, a destruir habitats, eliminar espécies, tornar o  planeta, verde e azul que era, o atual shopping center de plástico e concreto, de ferro e vidro.

Tudo bem! Dominamos o mundo mas temos razões de sobra para temer os efeitos da degradação ecológica que provocamos. Ela pode de fato ameaçar nossa sobrevivência: vai que aquecimento global, aumento dos níveis dos oceanos e poluição disseminada tornem a terra menos habitável!

Põe-se então a questão: quem ganhará a disputa entre a gestão humana e os desastres naturais por ela induzidos? À medida que o homem usa sua capacidade para conter as forças da natureza e submeter o ecossistema a suas necessidades pode muito bem causar efeitos colaterais ainda mais nocivos. E, considerado o que somos, pode-se apostar que atacaremos tais efeitos por meio de manipulações mais drásticas do ecossistema, instalando o caos final.

Bem entendido, não falo em destruição da natureza, coisa muito além do humano poder, mas em transformá-la de tal modo que nossa espécie poderá não ter mais lugar onde fincar pé por não ter tempo de se adaptar.

(Nestore – 29.05.16 – veja também o Blog Convidas e escreva)

MAIO – Mês da celebração da VIDA

À medida que a gente se acostuma a viver perde o hábito de pensar na vida. Em como, afinal, ela veio ao mundo; como foi possível que um punhado de elementos presentes na atmosfera se encontrassem para dar origem a proteínas, agregar a misteriosa replicadora chamada DNA e assim adquirir a capacidade de se reproduzir e gerar formas elementares de vida conhecidas como moléculas e  células. E isso logo no início de tudo, há 3,5 bilhões de anos, quando a terra mal tinha acabado de tornar-se sólida!

Acalma pensar como a vida deixou então de progredir para outros níveis de existência e dedicou  2 longos bilhões de anos à paciente reprodução de organismos bacterianos encarregados da função metabólica (mais tarde entregue ao mundo vegetal) de alimentar-se de hidrogênio e liberar na atmosfera oxigênio, venenoso o primeiro, essencial o segundo ao surgimento dos organismos terrestres dos quais evoluímos.

Nos bastaria a emoção de pensar que no primeiro instante do tempo humano uma pequena amostra de substâncias químicas adquiriu vida, partiu-se e fez um descendente; que algum tipo de processo de seleção cumulativo permitiu que aminoácidos se juntassem e dessem início à coleção de moléculas organizadas em tal ordem que deram em seres vivos; que isso aconteceu uma só vez e uma vez por todas;  que tudo que vive e já viveu, planta ou animal, tem sua origem na mesma e única replicação original; que tudo que tem vida é o resultado de um único mecanismo genético transmitido de geração para geração há quase 4 bilhões de anos.

Mas não. O homem ganhou um plus cognitivo que não o dá por satisfeito. Não saber como isso foi possível e não  conseguir recriar a vida o deixa inconformado. Importa-se  demais com vida pessoal para aceitar que ela acabe; não admite que as regras biológicas que a regem sejam definitivas; acompanhou-se desde o início de mitos, crenças e tabus, de vozes e visões do além, de crenças e religiões, teologias e filosofias que lhe dessem permanência. De certo, acredita, a pessoa é reencarnada através de sucessivas existências ou então eternizada em plano espiritual; outros, desconfiados, se fazem congelar, à espera da  revanche sobre a morte: não sabemos como a vida  surgiu? não conseguimos recriar as circunstâncias  iniciais que a ponham sob nosso domínio? Vamos então fazer perene a vida que temos! E prometem rejuvenescimentos periódicos, garantias de vida  até bem além dos 100, e, logo mais, vida sem fim.

Visto o desempenho científico de seu plus cognitivo, não é dito que o homem não consiga. Antigas sabedorias de velhos sábios dizem que não vale a pena. Mas o que sabiam eles dos dias de hoje?

(Nestore Codenotti – 08.05.16 – após a leitura de algumas pgs. de Bill Bryson)

 

TEMPO

Certeza alguma é certa em definitivo. Olha o Tempo, tido como absoluto na  exatidão de seus sucessivos minutos. Até Einstein dizer que nem tanto, se posto em relação física com espaço, massa, energia e suas circunstâncias.

Assumo portanto a certeza relativa que o Tempo começou há uns 14 bilhões de anos, ao bater da 1ª hora, jocosamente chamada big-bang  pelo estrondo que até hoje ecoa no espaço. Quando tudo que existe tornou-se possível. Como a terra, há 4,5 bilhões de anos, e os primeiros organismos, um bilhão de anos depois dela.

Os quais organismos, ao longo de 3,5 bilhões de anos foram tecendo formas e mais formas de vida até produzir – 2,5 milhões de anos atrás (note o salto de bi para mi) – os modelos daqueles que mais tarde viriam a ser, feitos e acabados, os primeiros exemplares  do gênero homo, entre eles – ultimado há cerca de 200 mil anos (note o salto de milhão para mil) – os nossos ancestrais diretos.

E lá fomos nós, além da África, Ásia e Europa adentro, na rota  dos homo que nos tinham precedido. Até, há cerca de 70 mil anos – quando, no que alguns divertidos narradores chamam de big birth –   soltamos e sofisticamos a língua e nos tornamos modernos de vez. Tal qual somos hoje, sem tirar nem pôr. Os últimos chegados, sapiens atropeladores e  únicos humanos a sobreviver.

Demoramos pouco menos de 4 bilhões de anos para acontecer,  nos bastaram uns 60 mil para tomar conta do planeta  e breves 12 mil para enchê-lo de  cidades. Há 500 (note o salto do milhar para a centena) acionamos uma revolução atrás da outra: a científica, a industrial e finalmente (e passamos  da centena para a dezena), a tecnológica.

Percebem como o homem continua o mesmo e o Tempo não é mais aquele? Já passamos do ano para o mês. Passaremos do mês para a dia? Sei não, daqui a pouco a criança nasce e já fica pra trás do tempo que seria seu. Sem presente, portanto, se “antigamente” significar “ontem”. Ou teremos dois Tempos correndo em dimensões paralelas, a humana e a tecnológica?

Reflexão de um homem velho, certo. Mas a questão é esta: quem, mesmo hoje, pode se dizer jovem, em sintonia com todas as propostas do “seu” Tempo?

(Nestore  – 24.04.16 – leia e escreva no Blog Convidas)

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